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epilepsia é um distúrbio do cérebro que se
expressa por meio de crises epilépticas repetidas. O objetivo
desse artigo é demonstrar que através da nutrição,
pode-se melhorar a qualidade de vida destas crianças ou adolescentes.
A
DIETA CETOGÊNICA não desnutre a criança, sendo
calculada de acordo com as necessidades protéico calórica
de cada faixa etária. É indicada para crianças
de um a oito anos, devendo ser feita de forma rígida (deve
seguir a proporção de 3 a 5 g de gorduras para 1 carboidrato),
tendo os alimentos sempre bem pesados e quantificados. Chega a promover
75% de controle sobre as convulsões e as crianças,
com as convulsões controladas, podem voltar a uma dieta normal
dentro de dois a três anos. E necessário que haja paciência
e dedicação tanto por parte dos pais quanto dos pacientes.
Segundo
a Dra. Ana Maria o tratamento dietoterápico é voltado
principalmente às crianças, pelo fato de nem sempre
ser eficaz em adultos, visto que estes já possuem hábitos
alimentares enraizados tornando-se mais difícil à
aceitação da dieta, mas não impossível.
A dieta deve sempre garantir o crescimento e o desenvolvimento das
crianças, bem como a manutenção da saúde
em casos de adultos. Os efeitos colaterais dos medicamentos são
minimizados e sua eficácia é aumentada com o auxílio
da dieta. O que ocorre com o organismo em jejum é a utilização
da reserva corporal de lipídeos para a obtenção
de energia, ou seja, o que a dieta faz é modificar a fonte
energética do organismo que, ao invés de utilizar
a glicose como fonte de energia, é forçado a utilizar
a gordura. A depleção de gordura deixa resíduos
chamados "corpos cetônicos" no sangue, que são
filtrados pelos rins e excretados na urina. Na presença de
grandes quantidades destes corpos cetônicos as convulsões
são controladas; ou seja, através da dieta cetogênica
o paciente permanece em cetose constante e o estado de cetose, por
sua vez, favorece mecanismos que evitam as crises epilépticas.
FUNDAMENTOS DA DIETA CETOGÊNICA:
Cerca de 20% das crianças que apresentam epilepsia tem crises
de difícil controle medicamentoso, mesmo quando fazem uso
de várias drogas ao mesmo tempo. A ausência no controle
das crises prejudica o desenvolvimento neuropsicomotor e interfere
de forma dramática com a qualidade de vida destas crianças.Sendo
assim algumas crianças irão beneficiar-se com tratamentos
cirúrgicos, outras com as drogas antiepilépticas,
mas a dieta é indicada para as crianças que, mesmo
com estes tratamentos, permanecem com as crises e/ou sofrem muito
com os efeitos colaterais das drogas. Os resultados da dieta cetogênica
têm sido muito satisfatórios, podendo citar dois casos:
paciente (A), com Síndrome de Lennox Gestaut, chegou ao ambulatório
no mês de dezembro passado com muitas crises, foi imediatamente
internada dando início ao jejum, para entrar em cetose e
seguida da introdução da dieta. Após dois meses
de dieta, já está sem crises, evoluindo quanto a sua
coordenação, bem como o seu comportamento e até
conseguiu expressar sua primeira palavra aos seis anos de idade.
Outro relato seria da paciente (B), que após várias
tentativas, suas crises continuavam, com isto a mesma parou de freqüentar
a escola, pois as crises eram muitas, sua coordenação
deficitária e um sono incontrolável. Após cinco
meses da dieta, suas crises já estão mais amenas,
sua medicação reduzida gradativamente, melhora da
coordenação e voltou a freqüentar a escola com
muita disposição.
A
DIETA CETOGÊNICA foi desenvolvida a partir da observação
de que o jejum contribua para o controle das crises em epilépticos.
Em condições normais, o sistema nervoso é fortemente
dependente da glicose como fonte de energia. Não se sabe
quais os tipos de crises ou epilepsias em que se devem esperar um
melhor resultado com a dieta cetogênica. Ela costuma ser em
situações como nas epilepsias mioclônicas progressivas
e na Síndrome de Rasmussem, na Síndrome de Lennox
Gestaut, mas tem-se mostrado efetiva tanto em crianças com
encefalopatias graves corno em crianças com quadro exclusivo
de epilepsia. A implantação da dieta cetogênica
é indicada com uma internação hospitalar, com
jejum que dura de 36 a 48 horas, com controles da glicemia e da
cetonúria. Quando se atinge cetose franca, a dieta individualmente
calculada é iniciada. Durante a hospitalização,
procura-se também iniciar a redução das drogas
antiepiléticas. Os pais saem da instituição
(hospital, clínica) onde a criança esteve internada
com um cardápio personalizado, que deve ser rigorosamente
seguido, pois só assim a dieta terá sucesso e, na
grande maioria dos casos, as crises poderão ser controladas,
sem a utilização de medicamentos ou com a redução
de suas doses.
FORMULAÇÃO E FORMA DE INÍCIO DA DIETA:
A
DIETA CETOGÊNICA consiste de creme, manteiga, gorduras, uma
quantidade limitada de proteína e vegetais e, eventualmente,
nenhum amido ou açúcar. Inicialmente, o cardápio
deve ser simples, período no qual observa-se se a dieta está
ou não proporcionando resultados. Os alimentos são
selecionados a partir de quatro grupos básicos:
a.. Proteínas: Carne, peixe, aves, ovos, queijos;
b.. Carboidratos: Frutas, vegetais(carboidratos);
c.. Gorduras: Manteiga, óleo, margarina, maionese;
d.. Proteína/carboidrato/gordura: Creme de Leite a 36% ou
40%.
Todas as gorduras devem ser de preferência não saturadas.
A dieta cetogênica é nutricionalmente completa quando
suplementos apropriados são administrados. Complexos de polivitaminas
e cálcio devem ser dados diariamente em formulações
livres de açúcar. Nutricionistas têm referido
que a dieta é deficiente em oligoelementos, como zinco e
selênio. Não há referência sobre qualquer
efeito colateral que pudesse ser decorrente da deficiência
de oligoelementos ou carnitina.
Desde o inicio da dieta os familiares deverão estar providos
de uma balança para o peso dos alimentos e do "Kit"
para o teste de cetonúria. Os pais deverão, no momento
da alta hospitalar, estarem aptos a usar a balança corretamente
e ter segurança no peso dos alimentos e no preparo das refeições,
assim como fazer e ler corretamente o teste para pesquisa de corpos
cetônicos na urina. Desta forma poderemos dar uma melhor qualidade
de vida ao próximo.
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May Clin Proc 2: 307-8, 1921.
Fonte:
Dra. Ana Maria Figueiredo Ramos ;
Nutricionista, Especialista em Nutrição Clínica
pela Universidade Bandeirante de São Paulo - UNIBAN, Membro
da Diretoria da Associação Paulista de Nutrição
- APAN, Docente Curso Técnico em Nutrição e
Dietética do SENAC, Mestrada em Neurociências no Ambulatorio
de Neurologia e Neurocirurgia Pediátrica da UNIFESP - Universidade
Federal de São Paulo - EPM - Escola Paulista de Medicina.
Atua como nutricionaista no CRU - Centro de Reabilitação
UNIBAN, com portadores de necessidades especiais. |